Por Cintia de Freitas, CEO e fundadora da Datta Büsiness.
O Dia dos Namorados sempre foi uma das datas mais relevantes para o varejo por combinar forte apelo emocional com elevado potencial de consumo.
Diferentemente de períodos impulsionados principalmente por promoções ou necessidades sazonais, a data está associada à demonstração de afeto e à busca por experiências significativas.
Em 2026, esse cenário ganha uma nova dimensão com o avanço da inteligência artificial e da análise de dados, que passam a influenciar cada vez mais a forma como as marcas se relacionam com seus consumidores.
Segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo brasileiro deve movimentar R$ 2,84 bilhões em vendas para o Dia dos Namorados deste ano.
Em um ambiente altamente competitivo, no qual diversas empresas disputam a atenção do mesmo público, compreender melhor os hábitos, interesses e expectativas dos consumidores tornou-se um fator decisivo para o sucesso das campanhas.
Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor mudou significativamente nos últimos anos, pois o acesso ampliado à informação, a multiplicação dos canais de compra e o aumento da oferta de produtos e serviços elevaram o nível de exigência das pessoas.
Hoje, mais do que encontrar boas ofertas, os consumidores esperam experiências relevantes, comunicações alinhadas aos seus interesses e interações que façam sentido dentro de sua realidade.
Um levantamento da McKinsey aponta que 71% dos consumidores esperam que as empresas ofereçam interações personalizadas, enquanto 76% demonstram frustração quando isso não acontece.
Os números mostram que a personalização deixou de ser um diferencial para se tornar parte importante da experiência de consumo, especialmente em datas que envolvem aspectos emocionais e decisões de compra mais subjetivas.
Por isso, a inteligência artificial assume um papel cada vez mais estratégico. Ao analisar grandes volumes de dados, a tecnologia permite identificar padrões de comportamento, compreender jornadas de compra e antecipar interesses com maior precisão.
Isso possibilita que as empresas desenvolvam campanhas mais aderentes aos diferentes perfis de público, reduzindo abordagens genéricas e aumentando a relevância das mensagens.
Durante décadas, datas comemorativas foram trabalhadas por meio de campanhas massificadas, construídas para alcançar o maior número possível de consumidores e representam uma mudança importante na lógica tradicional do marketing.
Hoje, o desafio passa a ser equilibrar escala e personalização, utilizando dados para criar experiências mais individualizadas sem perder consistência na comunicação da marca.
Consumidores estão cada vez mais conscientes sobre a utilização de suas informações pessoais e tendem a valorizar empresas que adotam práticas responsáveis de coleta e tratamento de dados.
Diante desse fator, a confiança torna-se um elemento tão importante quanto a própria capacidade tecnológica de personalização.
Dessa forma, o Dia dos Namorados evidencia uma tendência cada vez mais presente no varejo, marcada pelo uso da inteligência artificial para tornar as relações entre marcas e consumidores mais relevantes, contextualizadas e alinhadas às expectativas do público.
Mais do que automatizar processos, a tecnologia permite compreender melhor comportamentos, interesses e necessidades, criando oportunidades para interações mais significativas.
As empresas que conseguirem combinar dados, criatividade e respeito à experiência do cliente estarão mais preparadas para transformar campanhas sazonais em conexões genuínas e em resultados sustentáveis para o negócio.