Economia SP - Ex-piloto de F3 transforma hobby em negócio de drones de R$ 200 milhões

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Ex-piloto de F3 transforma hobby em negócio de drones de R$ 200 milhões

Aos 17 anos, Adriano Buzaid deixou São Paulo rumo à Inglaterra com um objetivo: chegar à Fórmula 1. A carreira chegou perto — em 2010, disputou a Fórmula 3 Inglesa pela equipe Carlin, terminou em quarto lugar com sete pódios consecutivos e chegou a negociar uma vaga na categoria máxima do automobilismo. O patrocínio não veio, mas a habilidade de identificar oportunidades ficou.

Quase 15 anos depois, o empreendedor está à frente da Gohobby Future Technology, empresa fundada em 2010 que faturou R$ 200 milhões em 2025. A meta é chegar a R$ 500 milhões em 2028, com um portfólio que vai de drones agrícolas a robôs humanoides e aeronaves elétricas.

Da pista ao empreendedorismo

A relação de Adriano com os negócios começou antes mesmo de deixar as pistas. Ainda durante o período em que disputava categorias de base na Europa — iniciando no kart aos 14 anos, passando pela Fórmula Ford Inglesa em 2006 e avançando para a Fórmula Renault Inglesa no ano seguinte —, chegou a vender tênis importados para ajudar a financiar a carreira.

De volta ao Brasil, o fundador transformou um hobby em negócio. Ele já trabalhava com aeromodelos e helicópteros de controle remoto e decidiu apostar no segmento. Investiu R$ 80 mil do próprio bolso e obteve US$ 1 milhão em financiamento para importar quatro contêineres com cerca de 700 drones. Era 2010, e o mercado ainda engatinhava.

“Chegamos a negociar uma vaga para a Fórmula 1, mas o investimento era alto e não conseguimos encontrar apoiadores”, recorda.

Agronegócio como motor do crescimento

A Gohobby começou com faturamento de cerca de R$ 300 mil no primeiro ano. A virada veio em 2013, com a parceria com a DJI, fabricante chinesa de drones, que ampliou o portfólio e abriu caminho para aplicações profissionais além do mercado de hobby.

O agronegócio foi o principal vetor dessa transformação. Em 2024, os drones agrícolas respondiam por 54% da receita da empresa; no ano seguinte, chegaram a 60%. Segundo dados do IMARC Group, o mercado brasileiro de drones movimentou US$ 733 milhões em 2025 e pode alcançar US$ 1,7 bilhão em 2034.

“O agronegócio foi um divisor de águas para os drones. Foi quando o equipamento deixou de ser visto apenas como uma ferramenta de imagem e passou a fazer parte da rotina do trabalho no campo. Ainda existe muito espaço para crescimento.”

Robótica e mobilidade aérea no portfólio

A estratégia de diversificação levou a companhia ao mercado de robôs humanoides e cães-robôs da chinesa Unitree, com aplicações em inspeção, segurança e operações em ambientes de risco. A categoria já representa cerca de 7% da receita e pode chegar a entre 20% e 30% até 2028.

Na mobilidade aérea, a empresa trouxe ao Brasil o EH216-S, aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical da chinesa EHang. Em 2024, Adriano participou de um voo experimental em Quadra, interior de São Paulo, tornando-se o primeiro piloto a comandar o modelo no país.

De volta às pistas — sem abrir mão dos negócios

O crescimento da empresa não encerrou a relação do CEO com o automobilismo. Em 2023, 13 anos após a última corrida internacional, o fundador voltou a competir na BOSS GP, em Misano, na Itália: largou da pole position, terminou em segundo na primeira prova e venceu a segunda.

Em 2025, disputou o Endurance Brasil ao lado de Fernando Gorayeb e terminou a temporada em terceiro lugar na categoria P1. A ideia não é retomar uma carreira integral nas pistas, mas conciliar algumas provas ao longo do ano com a gestão da Gohobby.

Para os próximos anos, o desafio da companhia é ampliar a presença em novos segmentos e se consolidar como plataforma de tecnologias emergentes no mercado.

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