Por Alexandre Gotthilf, CEO da Plugify.
O cenário econômico atual coloca os diretores financeiros e conselhos de administração diante de um complexo cenário, que exige gerenciar a transição prática para a Reforma Tributária e acelerar a adoção de inteligência artificial para não perder competitividade. A manutenção do modelo tradicional de compra de computadores alocado contabilmente como investimento em bens de capital (Capex), em pleno processo de reestruturação do modelo fiscal brasileiro, corre o risco de se transformar em uma armadilha financeira.
A adequação à Reforma Tributária exigirá das companhias uma liquidez expressiva para custear a reestruturação de sistemas de gestão (ERPs), consultorias e revisão de processos. Imobilizar capital em hardware no exato momento em que a empresa necessita de caixa livre para cobrir esses custos de transição é uma escolha desalinhada com a realidade operacional.
Em momentos de mudança regulatória que encontra respaldo na tese do livro The JOLT Effect, de Matthew Dixon: a manutenção do status ou o travamento de decisões corporativas raramente nasce do medo de errar, mas do receio de adotar alternativa e se arrepender.
Com a chegada das ferramentas de IA e dos modelos de linguagem privados, a performance de processamento local (NPUs) tornou-se pré-requisito de competitividade. Todavia, equipamentos preparados para IA possuem um ciclo de vida útil consideravelmente mais curto. Opção pela compra, neste contexto, significa carregar no balanço patrimonial ativos que se tornarão defasados em poucos semestres, amarrados a regras de depreciação contábil e fiscal que não acompanham a velocidade da inovação.
Além disso, existe um ponto cego recorrente no planejamento financeiro. Embora o abatimento da mensalidade de locação no Imposto de Renda (IRPJ/CSLL) já seja um benefício consolidado, a verdadeira virada com a Reforma Tributária reside no aproveitamento dos créditos do novo IVA Dual (IBS e CBS). Na locação, enquadrada como serviço, à geração do crédito fiscal ocorre de forma imediata e contínua, trazendo previsibilidade e fôlego direto ao fluxo de caixa.
Em um ambiente de transformações simultâneas, flexibilizar a infraestrutura de TI é uma estratégia direta para resguardar o lucro e preservar o caixa. A Reforma Tributária deixa claro que a prioridade do CFO não deve ser a posse do ativo ou o gerenciamento da sua depreciação, mas sim a garantia de acesso ágil, eficiente e financeiramente inteligente às tecnologias indispensáveis para a perenidade do negócio.