Uma dificuldade de gestão em uma escola de música de Cuiabá deu origem, anos depois, a um software que hoje atende 1.300 escolas e reúne 133.500 alunos cadastrados em todo o Brasil.
A Emusys nasceu a partir de um protótipo criado pelo desenvolvedor João Weber Valin para ajudar um amigo que enfrentava problemas na administração de uma escola de música. A solução funcionou e resolveu uma dor que, mais tarde, se mostraria comum em diferentes regiões do país.
Dois anos depois, Matheus Valin, filho de João, mudou-se com a família para Florianópolis e começou a conversar com proprietários de escolas de música. Foi nesse processo que percebeu que o problema encontrado em Cuiabá não era isolado.
As escolas enfrentavam dificuldades semelhantes para controlar agenda, cobranças, pagamentos a professores e diferentes formatos de aula. Boa parte dos sistemas disponíveis havia sido desenvolvida para instituições de ensino tradicionais e não acompanhava as particularidades do setor musical.
Um sistema pensado para outra lógica de ensino
Em uma escola de música, a operação pode envolver aulas individuais, turmas, reposições, horários flexíveis e diferentes modelos de remuneração dos professores.
Quando essas informações estão espalhadas entre planilhas, papéis e sistemas distintos, o fechamento financeiro e o controle da operação se tornam mais complexos.
A partir das conversas com gestores, Matheus decidiu transformar o protótipo em produto. A Emusys passou a reunir agenda, financeiro e comunicação entre escola, professores e alunos em uma única plataforma.
O primeiro impacto percebido pelos clientes, segundo a empresa, aparece na redução de perdas operacionais. Boletos passam a ser emitidos nos prazos corretos, cobranças por cartão ficam centralizadas e professores e gestores conseguem acompanhar pagamentos e receitas com mais clareza.
“Eu levava dias para fechar o mês. Agora, em cinco minutos, está tudo pronto”, afirma Ana Clara Prado, proprietária de uma escola de música na zona sul de São Paulo.
1.300 escolas e 60 mil pagamentos por mês
Hoje, a Emusys atende 1.300 escolas de música no Brasil, com 133.500 alunos cadastrados e cerca de 60 mil pagamentos processados mensalmente.
Segundo dados da própria empresa, as escolas que utilizam a plataforma registram, em média, crescimento de 44% no faturamento no primeiro ano.
A empresa atribui esse avanço principalmente à maior organização da operação, e não ao aumento de preços. Com os processos centralizados, os gestores passam a acompanhar com mais precisão inadimplência, recebimentos, agenda e repasses a professores.
Para Matheus, o ganho está justamente na mudança da rotina administrativa:
“Quando o gestor para de apagar incêndio administrativo e começa a tomar decisões com base em informação real, a escola sai do improviso e entra em outro ritmo de crescimento”, afirma.
Tecnologia para um mercado pouco atendido
O caso da Emusys também mostra como softwares verticais ganharam espaço ao atender problemas específicos de determinados setores.
Em vez de adaptar ferramentas genéricas, a empresa construiu a plataforma a partir de processos próprios das escolas de música.
Esse tipo de especialização permite que funcionalidades financeiras e operacionais acompanhem a rotina real do negócio, algo especialmente relevante em mercados formados por pequenas e médias empresas.
O que começou como um projeto desenvolvido para resolver o problema de uma única escola acabou se tornando uma plataforma utilizada por instituições de música em diferentes regiões do país.
Agora, o desafio é ampliar essa presença sem perder justamente o foco que deu origem ao negócio: resolver problemas operacionais específicos de um mercado que, por muito tempo, precisou adaptar ferramentas pensadas para outras realidades.