Administrar um restaurante exige cada vez mais competências que vão além da cozinha. Controle de custos, precificação, fluxo de caixa, liderança, marketing e análise de dados passaram a ocupar espaço relevante em um setor pressionado por margens apertadas e mudanças no comportamento do consumidor.
Foi justamente a falta desse conhecimento que levou Marcelo Marani a transformar uma experiência de fracasso empresarial em um novo negócio. Depois de fechar o próprio restaurante e acumular mais de R$ 1 milhão em dívidas, o empreendedor passou a estudar gestão aplicada ao food service e, em 2019, criou o DONOS DE RESTAURANTES.
Desde então, a plataforma afirma ter capacitado mais de 30 mil empresários, cujos negócios acumulam mais de R$ 2 bilhões em faturamento.
Da operação para a gestão
Filho de dono de restaurante em Minas Gerais, Marcelo Marani cresceu acompanhando a rotina do negócio da família. A experiência operacional, porém, não foi suficiente para evitar problemas quando decidiu empreender no setor.
Segundo ele, dificuldades relacionadas à gestão financeira, planejamento e controle operacional contribuíram para o fechamento da empresa.
“A falência mostrou que esforço não substitui gestão. Eu trabalhava muito, conhecia a operação, mas não dominava indicadores financeiros, precificação, fluxo de caixa e processos. Foi quando entendi que administrar um restaurante exige competências muito diferentes daquelas necessárias para produzir uma boa comida”, afirma Marcelo Marani, fundador do DONOS DE RESTAURANTES.
A experiência levou à criação de uma metodologia voltada especificamente à administração de negócios de alimentação. Atualmente, os programas abordam temas como gestão financeira, precificação, liderança, marketing, experiência do cliente e expansão.
Gestão ganha espaço no food service
A profissionalização acompanha uma transformação mais ampla do setor. Além da necessidade de controlar custos e margens, restaurantes passaram a administrar diferentes canais de venda, ferramentas digitais, programas de fidelização, aplicativos próprios e volumes crescentes de dados sobre consumidores e operações.
Nesse cenário, a capacidade de produzir uma boa experiência gastronômica continua relevante, mas passa a dividir espaço com indicadores e processos empresariais.
“Durante muito tempo o restaurante era administrado quase exclusivamente pela experiência do proprietário. Hoje, quem deseja crescer precisa acompanhar indicadores, estruturar processos e tomar decisões baseadas em dados. O empresário deixou de olhar apenas para a cozinha e passou a administrar uma empresa”, destaca.
Em sete anos, o DONOS DE RESTAURANTES ampliou a atuação para 23 capitais brasileiras. A comunidade formada em torno da marca também reúne mais de meio milhão de seguidores entre Instagram, YouTube, TikTok, LinkedIn e Spotify.
Empresários brasileiros buscam referências fora do país
A profissionalização também levou a empresa a investir em eventos e missões empresariais. Em 2026, Marcelo Marani liderou uma delegação de 40 empresários brasileiros para a NRA Show, em Chicago. Durante a viagem, o grupo participou de visitas técnicas e encontros com empresas do setor para conhecer tendências relacionadas a tecnologia, equipamentos, operação e gestão.
O empreendedor também é autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, que chegou à lista de mais vendidos da revista Veja na categoria de negócios.
A trajetória mostra uma mudança que começa a ganhar força no food service: o restaurante deixa de ser administrado somente como uma operação gastronômica e passa a ser tratado como uma empresa, com processos, indicadores e estratégias de crescimento.
Para ele, essa foi justamente a principal lição deixada pelo fechamento do primeiro negócio:
“A experiência de ter perdido um negócio me mostrou que muitos problemas poderiam ter sido evitados com conhecimento específico. Foi isso que motivou a criação da empresa e continua orientando o desenvolvimento dos programas até hoje”, conclui.