Por Hailton Santos, diretor comercial da Sesami.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 chegou ao fim, com a aprovação do projeto no Senado Federal. Agora, ela traz um desafio adicional para o varejo: como manter lojas abastecidas, seguras e eficientes diante da necessidade de reorganizar escalas, ampliar folgas e controlar custos operacionais?
A resposta está na revisão dos processos que ainda dependem excessivamente de tarefas manuais e repetitivas e investir na automação como uma ferramenta para aumentar a produtividade das equipes, reduzir retrabalho, diminuir riscos e permitir que os colaboradores se concentrem em atividades estratégicas.
A discussão sobre a escala 6×1 já evidenciava uma realidade que o varejo já enfrenta: as empresas precisam operar com mais eficiência, mas não podem comprometer a experiência do consumidor nem sobrecarregar suas equipes.
No varejo, parte relevante da rotina das lojas ainda envolve atividades manuais, como conferência de valores, transporte de numerário, abertura e fechamento de caixas, registros operacionais e controles de segurança. Embora necessárias, essas tarefas consomem tempo das equipes, aumentam a possibilidade de erros e podem exigir a mobilização de funcionários em horários de maior custo operacional, como início da manhã, encerramento das lojas, fins de semana e feriados.
A automação permite padronizar etapas, reduzir deslocamentos e transferir determinados processos para sistemas capazes de operar de forma contínua. Com isso, os colaboradores deixam as tarefas mecânicas e podem atuar em frentes, como atendimento ao cliente, reposição e organização da loja, prevenção de perdas, resolução de ocorrências e melhoria da experiência de compra.
Soluções como o Fiscal Remoto — que oferece monitoramento e controle centralizado dos PDVs — e o Intelisafe, cofre inteligente que automatiza a gestão de valores, exemplificam como a tecnologia pode reduzir a dependência de conferências manuais, diminuir a exposição de funcionários a riscos e aumentar a precisão dos controles.
Entre os possíveis ganhos estão redução do tempo dedicado a processos manuais, menor exposição de funcionários a riscos, diminuição de divergências e erros de conferência, uso mais eficiente das equipes e redução de interrupções na operação. Em um setor com operação extensa, múltiplos turnos e forte presença aos fins de semana e feriados, ampliar o quadro sem rever processos pode elevar custos sem ganhos de produtividade. E aqui a tecnologia pode ajudar muito o varejista.
A automação deve ser encarada como uma aliada da força de trabalho. Ela permite que o varejista mantenha a operação funcionando com mais previsibilidade e, ao mesmo tempo, oferece aos funcionários uma rotina menos desgastante e mais focada em atividades de maior impacto.
A escala 6×1 pode mudar, mas a necessidade de manter o varejo em movimento permanece. Ao automatizar tarefas repetitivas e direcionar o tempo das pessoas para o que exige atenção, relacionamento e decisão, o varejo pode equilibrar eficiência operacional e melhores condições de trabalho.
No fim, a tecnologia não substitui o valor das equipes, mas ajuda a criar uma operação em que elas possam fazer mais diferença.