Economia SP - Após captar R$ 15 milhões, PX Data muda marca para Luria e amplia aposta em IA

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Após captar R$ 15 milhões, PX Data muda marca para Luria e amplia aposta em IA

Allan Miranda Luria

O avanço da inteligência artificial nas empresas está impulsionando uma mudança no mercado de tecnologia corporativa. Mais do que contratar ferramentas isoladas, grandes organizações buscam soluções capazes de integrar dados, processos e conhecimento interno para apoiar decisões e automatizar operações.

É nesse cenário que a startup carioca PX Data, fundada em 2019, anuncia seu reposicionamento e passa a atuar sob a marca Luria.

A mudança acompanha a ampliação do portfólio da companhia, que deixa de se apresentar apenas como fornecedora de soluções de dados para desenvolver um ecossistema de inteligência de negócios voltado ao mercado corporativo.

A empresa já possui projetos com organizações como Bradesco, Globo, BAT e RD Saúde. Em abril de 2026, anunciou sua primeira rodada institucional de investimentos, no valor de R$ 15 milhões, liderada pelo Bradesco Venture Capital, com participação da Vibra Ventures.

Startup reúne produtos de IA em um único ecossistema

O reposicionamento da Luria envolve uma nova arquitetura de marca e a integração de diferentes soluções tecnológicas.

O portfólio passa a reunir produtos e serviços voltados à aplicação da inteligência artificial em áreas como experiência do cliente, análise de dados, automação e modernização de sistemas corporativos. Entre as soluções estão Luria One, Luria CX, Luria Flow, Luria Stratta, Luria Academy, Luria Experts e Hubie.

A proposta é conectar essas ferramentas em uma estrutura compartilhada, permitindo que informações e conhecimentos produzidos em diferentes áreas sejam utilizados de forma integrada.

As aplicações abrangem desde a análise da experiência do cliente, transformando informações sobre o relacionamento com consumidores em subsídios para decisões estratégicas, até a modernização de sistemas legados.

Nesse último caso, a companhia utiliza técnicas de engenharia reversa para compreender e reconstruir fluxos analíticos existentes.

O objetivo é reduzir a fragmentação tecnológica e criar uma base comum para o desenvolvimento de novas aplicações de inteligência artificial.

Empresa desenvolve camada de inteligência corporativa

Um dos principais conceitos apresentados pela Luria é o Enterprise Intelligence Layer, uma camada de inteligência empresarial desenvolvida para organizar e conectar o conhecimento das organizações.

A proposta é integrar dados, documentos, processos, regras de negócio e informações estratégicas em uma infraestrutura que possa ser utilizada por diferentes modelos e agentes de IA.

Dessa forma, as empresas podem desenvolver aplicações de inteligência artificial sem depender exclusivamente de ferramentas isoladas ou de um único modelo tecnológico.

Segundo a companhia, a arquitetura também busca preservar o conhecimento corporativo como um ativo estratégico da própria organização.

Para Allan Miranda, fundador e CEO da Luria, o reposicionamento reflete a evolução das necessidades das empresas diante do avanço da inteligência artificial.

“Somos uma empresa carioca que nasceu em um mercado de dados e acompanhou de perto a transformação provocada pela inteligência artificial dentro das grandes empresas. A mudança para Luria representa esse momento de construção de um ecossistema em que diferentes produtos e aplicações partem de uma mesma base de inteligência”, afirma.

O executivo destaca que a velocidade das mudanças tecnológicas exige uma estrutura capaz de preservar as informações e os conhecimentos acumulados pelas organizações.

“A tecnologia vai continuar mudando, mas o conhecimento que uma empresa constrói ao longo da sua história precisa continuar sendo dela”, acrescenta.

Rodada de R$ 15 milhões fortalece estratégia de crescimento

A mudança de marca acontece no mesmo ano em que a empresa anunciou sua primeira rodada institucional de investimentos.

A captação de R$ 15 milhões, divulgada em abril de 2026, foi liderada pelo Bradesco Venture Capital, com participação da Vibra Ventures.

Segundo a startup, as duas organizações já utilizavam suas soluções antes de se tornarem investidoras. A trajetória da companhia também inclui projetos com Ancar Ivanhoe, Eurofarma, Engie e DB Diagnósticos.

A experiência com empresas de diferentes segmentos contribuiu para a identificação de desafios comuns relacionados à integração de informações, automação de processos e aplicação da inteligência artificial nas operações.

O reposicionamento busca ampliar a atuação da startup nesse mercado, oferecendo uma estrutura que possa atender diferentes necessidades corporativas.

Nova estrutura separa atuação institucional e produtos

Com a mudança, a empresa também reorganizou sua arquitetura de marcas. A Luria Co. passa a representar a companhia em assuntos corporativos e institucionais, incluindo investimentos, cultura organizacional e parcerias estratégicas.

Já a Luria será utilizada como marca comercial, concentrando o ecossistema de produtos e soluções tecnológicas.

A estratégia busca diferenciar a estrutura empresarial da oferta de tecnologia, mantendo uma identidade integrada.

O Rio de Janeiro, cidade onde a startup foi fundada, continua como referência para a construção da marca, que pretende ampliar sua presença no mercado de tecnologia corporativa com ambição internacional.

Inteligência proprietária ganha espaço nas empresas

A transformação da PX Data em Luria acompanha uma discussão crescente sobre a forma como as organizações utilizam inteligência artificial.

Embora a adoção de modelos generativos tenha ampliado o acesso à tecnologia, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para conectar essas ferramentas aos sistemas, processos e informações que sustentam suas operações.

Nesse contexto, o desenvolvimento de uma infraestrutura própria de inteligência surge como uma alternativa para organizar o conhecimento empresarial e facilitar a criação de novas aplicações.

A proposta da Luria é permitir que modelos e agentes de IA utilizem uma base estruturada de informações corporativas, preservando a continuidade dos processos mesmo diante da evolução das tecnologias disponíveis.

Com o novo posicionamento e o aporte anunciado em 2026, a startup busca ampliar sua participação no mercado de inteligência artificial empresarial, passando de soluções especializadas em dados para uma plataforma mais abrangente de integração, automação e apoio à tomada de decisão.

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Fundadora do Economia SC/SP, board member do Economia PR, 4 vezes TOP 10 Imprensa do Startup Awards e TOP 100 dos + Admirados da Imprensa no Brasil em 2025.

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