Economia SP - Cinco cadeias do agro que exigem atenção logística na transição da Reforma Tributária

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Cinco cadeias do agro que exigem atenção logística na transição da Reforma Tributária

rafael brito

A Reforma Tributária do consumo deve alterar a dinâmica logística de cadeias como soja, milho, carnes, café, açúcar e etanol, segundo a Rumo Brasil, consultoria de gestão tributária, financeira, jurídica e contábil para transportadoras. O efeito vai além do recolhimento de impostos.

Embora produtos agropecuários in natura tenham redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS, o tratamento diferente para matérias-primas, processados, insumos e serviços pode mudar a estrutura de custos da cadeia, com reflexos sobre frete, armazenagem, beneficiamento e rotas.

Para Rafael Brito, CEO e fundador da Rumo Brasil, o setor precisa olhar além da alíquota aplicada ao produto e acompanhar o efeito do imposto em toda a operação:

“No agronegócio, não basta olhar para a tributação da commodity de forma isolada. É preciso entender como o imposto se comporta em cada etapa, pois uma mudança na carga de uma operação pode alterar o custo de toda a cadeia logística.”

A consultoria, que já atendeu mais de 400 transportadoras e soma mais de 800 projetos concluídos, aponta cinco cadeias que merecem atenção na transição para o novo sistema.

Soja: o peso das longas distâncias

A soja movimenta grandes volumes por longas distâncias entre regiões produtoras, armazéns, indústrias e portos, o que torna o transporte uma variável relevante no custo final.

Como o grão passa por diferentes etapas e agentes, a apropriação de créditos tributários exige atenção. Para Rafael, transportadoras desse mercado devem revisar custos por rota e por tipo de operação durante a transição.

Milho: processamento interno e novos fluxos

Uma parcela crescente da produção de milho tem sido destinada ao processamento interno, especialmente para biocombustíveis, reduzindo a fatia exportada. O movimento altera os fluxos de transporte entre regiões produtoras e unidades de processamento.

Segundo o especialista, transportadoras e embarcadores precisam acompanhar não só o volume, mas a mudança de mercados e rotas. Alterações tributárias que mexam no custo podem ter impacto relevante em uma cadeia que incorpora novos destinos.

Carnes: mais elos e mais complexidade

A cadeia de carnes pode envolver transporte de animais, frigoríficos, processamento, armazenagem refrigerada e distribuição, com diferentes empresas até o produto chegar ao destino.

Quanto mais etapas, maior a necessidade de entender como o IBS e a CBS serão apropriados e como os créditos circularão entre os agentes. Para o CEO, o impacto tributário não pode ser separado das características operacionais do setor.

Café: exportação e distância até os portos

O café pesa pela forte participação das exportações e pela distância entre as principais regiões produtoras e os portos. Antes do embarque, a carga passa por transporte, armazenagem e beneficiamento.

Embora as exportações tenham tratamento específico no novo sistema, os efeitos tributários das etapas anteriores seguem relevantes para a competitividade. Entender cada fase pode ser decisivo na avaliação de custos e contratos.

Açúcar e etanol: processamento e distribuição

A cadeia combina produção, processamento industrial e distribuição. O grande volume movimentado e, no caso do etanol, a ligação com a distribuição de combustíveis tornam a estrutura tributária relevante para o planejamento logístico.

Na leitura de Rafael, cadeias com maior grau de transformação exigem análise mais detalhada da formação de custos e do uso de créditos, já que a logística está diretamente conectada às etapas industriais.

Antecipar a análise para proteger a margem

Para o CEO, o ponto comum entre as cinco cadeias é que a reforma não pode ser avaliada só pela carga tributária da mercadoria. Ele defende que transportadoras revisem preços, contratos e processos ainda durante a transição:

“Essas cadeias têm características diferentes, mas todas mostram por que a Reforma Tributária precisa ser analisada de forma integrada ao planejamento logístico. Para a transportadora, não será suficiente apenas saber qual imposto incide sobre a carga e sim necessário entender como o modelo de contratação, a origem e o destino, os créditos e cada etapa da operação interferem na margem. Quem antecipar essa análise terá mais condições de ajustar preços, contratos e processos antes que as mudanças se tornem definitivas.”

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