Como valorizar o currículo de mães

Já pensou em como a maternidade te ajudou a confirmar, perceber e potencializar competências que você nem sabia que tinha antes de ter o seu filho ou a sua filha?

Trouxe a Fernanda Miranda, que é COO aqui na Se Candidate, Mulher!, mãe do Nicolas e da Alice  para falar sobre o assunto com vocês!

Desde o descobrimento da gravidez, passamos a tolerar as mudanças no nosso corpo e mente, a planejar como serão as próximas semanas em meio a tantos exames e preparativos, a conviver com várias outras incertezas, de forma que só nos resta aceitar o óbvio: não temos o controle de tudo o tempo todo! 

A nossa visão de mundo muda completamente agora que o controle do nosso tempo é compartilhado com uma criança, sofrendo mudanças constantes com o aparecimento das novas obrigações. De repente, as definições de “prioridade” e “urgente” são atualizadas no vocabulário materno. 

Tomar consciência de toda essa transformação nos ajuda a aceitá-las e utilizá-las em nosso favor. Criatividade, empatia, resiliência, tolerância, senso crítico e analítico, foco, organização, negociação, produtividade, flexibilidade… E aí vem a pergunta: 

Por que é ainda tão difícil para as mães voltarem ou permanecerem no mercado de trabalho? 

Segundo o estudo Estatísticas de Gênero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março deste ano, apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até 3 anos em casa estão empregadas. A maternidade negra, nesta mesma situação, representa uma taxa ainda menor: menos da metade está no mercado de trabalho (49,7%).

Além disso, apesar das mulheres representarem 54,5% da população economicamente ativa no país, as mães ainda sofrem constrangimentos no ambiente de trabalho e nos processos seletivos.

Os tais vieses inconscientes que supõem que as mães são inadequadas para o trabalho ainda ocorrem, como se todas as pessoas não passassem por problemas de saúde ou por imprevistos.

Em contramão, homens com filhos pequenos estão mais empregados (89,2%), do que aqueles que não têm filhos (83,4%).  

Outras causas diversas são as mães que não tomaram consciência do quanto a maternidade aflora suas capacidades e não se permitem voltarem ao mercado, assim como as dificuldades da rotina que muitas vezes não é compartilhada com o pai…

E não podemos nos esquecer da necessidade de mudanças nas Leis do Trabalho (CLT) para assegurar que situações discriminatórias não aconteçam.

Atualmente moro na Espanha e, por aqui, as licenças de pais e mães pelo nascimento de um filho são equiparadas. Ambos terão 16 semanas fora do trabalho. Licenças 100% remuneradas e intransferíveis, ou seja, se o pai não tirar esses dias de folga, não pode mais usufruí-las, dois fatores fundamentais, segundo os especialistas, para incentivar os homens a usá-las. E que situam a Espanha na vanguarda neste tipo de direitos. É desse tipo de investimento em parentalidade que o Brasil precisa. 

Para a socióloga Constanza Tobío, a medida marca o final de um caminho em termos de licenças:

“Transmite a mensagem de que os pais têm o direito e a obrigação de cuidar, exatamente nas mesmas condições e nos mesmos termos que as mulheres”, argumenta.

Com a pandemia, a modalidade de home-office ajuda a encaixar melhor as atividades diárias já que o tempo perdido em deslocamento no trânsito e o compartilhamento com o [email protected] também facilitou por estarem todos juntos.

Ainda temos um caminho longo para desmistificar que a maternidade limita as mulheres, muito pelo contrário, estudos comprovam o desenvolvimento das habilidades e também da sensibilidade para lidar com situações no trabalho.

Fica então a reflexão: como sua empresa está lidando com mães e mulheres que pretendem ter filhos? Se a resposta for com zelo, respeito, confiança e nunca fechando a porta ou colocando limites nas oportunidades dadas, sem olhar para a maternidade como uma barreira, parabéns! Junte-se a nós para atingirmos a equidade de gênero no mercado de trabalho driblando essas barreiras. 

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