Economia SP - Juventude necessária

Pesquisar

Juventude necessária

Screenshot

Por Marco França, sócio da Auddas.

Começo pelo final e me explico. Não sei quantos anos você tem, se 40, 50, 60 ou 20. Pouco importa. A cabeça dos 30 é o modelo mental da sobrevivência corporativa dos próximos anos.

Quando tínhamos 30, estávamos prontos e abertos a absorver tecnologia e aprendizado. Não tínhamos dogmas, pois fomos construí-los depois, com nossas estatísticas, nem doutrinas, pois éramos rebeldes e arrogantes o suficiente para não nos deixarmos encaixotar e sermos apenas mais um.

Estávamos abertos a quebrar e a ficar ricos também. O risco fazia parte do jogo. Tínhamos o foco necessário para não gastar tempo com ruído e para não nos preocuparmos com o que não controlávamos ou conhecíamos. Sabíamos menos, éramos mais simplórios e, paradoxalmente, mais confiantes em fazer o básico e tratorar.

Em tempos de IA, eleições, guerras infinitas- domésticas e internacionais – e colapso moral e institucional, nada melhor do que a postura dos 30.

Ainda há muita coisa ruim por vir. Temos inflação e inadimplência contratadas para o próximo biênio e, para quem, no setor público ou privado, terá que tocar seus negócios, o cenário não será simples. O varejo foi para o brejo, pessoas físicas e jurídicas estão endividadas, e um spread de 10% sobre um CDI estratosférico também não ajuda uma vida corporativa em que grande parte das empresas luta por margens de lucro próximas de 10%.
O jogo do rouba-monte

Terminando a longa lista de más notícias e os prognósticos de Freddy Krueger, segue uma visão da oportunidade. A oportunidade no Brasil é o jogo do rouba-monte. Quem morre deixa clientes, serviços e espaço para uma oferta mais restrita. E quem sobrevive, porque se reinventou, pode surfar um crescimento que nunca viu. Não necessariamente porque o mercado cresceu, mas porque haverá menos gente para atendê-lo.

Rever seus produtos e serviços, sua oferta, estrutura de preços, time e competências será fundamental. Nem todos sobreviverão, é bem verdade, mas o momento de transformação é um fato.

Para o empresário da PME, verdadeiro herói ou heroína do Brasil, mais ainda. Para estes, só resta cair para dentro da transformação.

Mudar sem ego

Revisite seu negócio, sem ego e sem preconceito. Você vai ter que mudar, e muito, para sobreviver. E é mais fácil do que parece.

E talvez Júlio César tenha resumido isso há mais de dois mil anos. Em 45 a.C., depois da Batalha de Munda, na Hispânia, uma das mais difíceis de sua carreira, Plutarco relata que César disse aos amigos que muitas vezes havia lutado pela vitória, mas que naquele dia havia lutado pela própria vida.
Continuar no jogo

Talvez seja essa a postura necessária para os próximos anos. Há momentos em que crescer é a prioridade. Em outros, sobreviver, adaptar-se e continuar no jogo vêm antes. E quem estiver lá depois poderá aproveitar o espaço deixado por quem não conseguiu. Esse é o novo 30.

Compartilhe

Leia também