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Facility Management no mercado imobiliário: o escritório como um serviço

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Por Dagoberto Salles, fundador e diretor da 360inova.

O Facility Management (FM) é a gestão integrada de serviços que apoia a operação principal. Quando falamos sobre o assunto em relação ao mercado imobiliário corporativo, tratamos das “atividades-meio” que dão suporte ao negócio principal, seja em relação à gestão do espaço, como layout do escritório, mobiliário e planejamento de mudanças físicas; ou infraestrutura e manutenção.

Após a consolidação dos modelos híbridos e remotos, o espaço de trabalho físico passou por grandes transformações, deixando de ser apenas um endereço. Com isso, o conceito de escritório como um serviço (OaaS – Office as a Service) vem ganhando força no mercado imobiliário corporativo como um pilar estratégico na retenção de talentos, eficiência financeira e valorização de ativos imobiliários, ou seja, o FM é o motor que viabiliza o conceito de escritório como um serviço, unindo a infraestrutura física à experiência humana.

Por isso, atualmente, o uso estratégico do escritório envolve pilares fundamentais para investidores e gestores, pois otimiza os custos da operação evitando desperdícios e compras descentralizadas, além de oferecer um ambiente confortável e seguro, o que impacta diretamente no bem-estar dos colaboradores.

No mercado imobiliário moderno, o sucesso não depende apenas do metro quadrado, mas sim do valor e da inteligência entregues em cada espaço. O escritório físico não é mais apenas uma despesa imobiliária, mas uma ferramenta de produtividade e cultura. Decisores inteligentes não compram mais lajes corporativas; eles contratam a infraestrutura e a experiência que impulsionam o negócio.

Além disso, a rápida evolução dos modelos de trabalho também trouxe uma certeza incômoda: manter lajes comerciais subutilizadas, amarradas a contratos rígidos de longo prazo e que demandam atenção constante da liderança para resolver problemas operacionais, tornou-se um ralo de eficiência financeira e de foco estratégico.

Diante desse cenário, os decisores mais estratégicos não compram ou alugam apenas metros quadrados; eles contratam a infraestrutura, a tecnologia e a experiência que impulsionam o seu negócio. Para o departamento financeiro, a abordagem imobiliária tradicional sempre representou uma imobilização pesada de recursos. O modelo convencional exige um alto investimento inicial (Capex) em projetos de arquitetura, obras civis, mobiliário, infraestrutura de tecnologia e cabeamento estruturado. Além do desembolso imediato, esses ativos sofrem depreciação ao longo do tempo e engessam o balanço da companhia.

O modelo de escritório como um serviço pode inverter essa lógica ao transformar o investimento imobiliário em despesa operacional (Opex). Através de um contrato de prestação de serviços baseado em mensalidades ou assinaturas previsíveis, a empresa elimina a necessidade de aportes milionários em infraestrutura de terceiros.

Em uma economia volátil, a capacidade de adequar o tamanho da operação imobiliária em tempo real é uma vantagem competitiva crucial para a mitigação de riscos.

Portanto a otimização dos custos pode ser trabalhada simultaneamente ao foco na alta performance e no bem-estar dos colaboradores. Ao delegar a gestão desses detalhes a um ecossistema de serviço especializado, a liderança garante que o escritório cumpra sua verdadeira função moderna: ser um polo de conexão, atração de talentos e fortalecimento da cultura organizacional. Adotar o escritório como um serviço não é uma tendência de arquitetura, mas uma decisão financeira e de gestão de pessoas altamente estratégica.

Na era da agilidade dos negócios, os tomadores de decisão precisam se libertar do papel de administradores de contratos imobiliários e fornecedores de manutenção. Ao abraçar o escritório como um serviço, a liderança transfere a complexidade operacional para especialistas e assume sua verdadeira função: atuar como arquitetos da experiência de trabalho, garantindo que o espaço físico seja um catalisador de inovação, eficiência de capital e crescimento corporativo.

Segundo dados da pesquisa Mordor Intelligence, a expectativa é que o mercado de Facility Management cresça a uma taxa média anual de 4,68% entre 2026 e 2031, alcançando aproximadamente US$68,8 bilhões ao final do período. Para o futuro, a tendência para o setor é a hiperpersonalização, com espaços que se moldam cada vez mais à cultura de cada empresa cliente e ambientes que estimulam o networking e a colaboração, justificando o deslocamento do colaborador até o escritório.

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