Por Thiago Artacho, CEO da Green Tech Solutions.
Durante muito tempo, a câmera de segurança teve uma missão clara: registrar o que acontecia. Quando havia um furto, um acidente ou uma falha operacional, as imagens eram consultadas depois, na tentativa de reconstituir os fatos. Era uma tecnologia voltada principalmente para olhar o passado.
Esse papel está mudando. Com a evolução da análise de vídeo e da inteligência artificial, as câmeras podem ajudar a identificar situações fora do padrão, destacar eventos relevantes e levar informações às equipes com mais rapidez. Mais do que gravar imagens, passam a apoiar a gestão diária das lojas.
A mudança ganha relevância em um setor que já conhece bem essa tecnologia. Pesquisas da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) apontam o uso de câmeras de monitoramento como a tecnologia mais utilizada pelos varejistas, independentemente do canal. Agora, a questão não é apenas instalar ou acompanhar câmeras, mas transformar o volume de imagens produzido em informação útil para a operação.
A trajetória do monitoramento no varejo pode ser entendida em quatro etapas: ontem ela registrava as imagens que eram consultadas principalmente depois de uma ocorrência, hoje ela acompanha as ações e os gestores podem observar unidades remotamente e ter uma visão mais ampla da operação e agora ela interpreta a partir de ferramentas de análise de vídeo que ajudam a destacar eventos e situações que merecem atenção. O próximo passo (alguns varejistas já estão nele) será o de agir melhor, com informações sobre recorrências e desvios que vão apoiar respostas mais rápidas e medidas preventivas.
O avanço não está apenas na resolução das imagens. Está na capacidade de organizar e analisar o que acontece diante das câmeras. Em uma rede com muitas unidades, é inviável que uma pessoa acompanhe todas as telas o tempo todo. A tecnologia pode fazer uma triagem inicial, sinalizar eventos relevantes e ajudar a reduzir o intervalo entre um alerta e a avaliação da equipe.
Trocando em miúdos, o futuro do monitoramento depende menos de câmeras isoladas e mais da integração entre imagens, processos e contexto. A análise pode ajudar a identificar padrões de circulação, áreas com recorrência de ocorrências, movimentações em locais restritos ou situações que destoem da rotina esperada.
Uma porta aberta fora do horário previsto ou uma concentração incomum em determinada área, por exemplo, pode gerar um alerta para avaliação. Esses sinais não são conclusões por si só: precisam ser analisados à luz do contexto da loja e confirmados por profissionais.
A inteligência artificial, portanto, não substitui as equipes. Ela amplia a capacidade de observação, ajuda a priorizar o que merece atenção e pode apoiar decisões mais informadas. A interpretação do contexto e a definição da resposta continuam sob responsabilidade humana.