Sua ideia gera um negócio de sucesso?

A vontade de ter o próprio negócio cresceu com a pandemia. Para uma parcela por necessidade, devido a alta do desemprego e a insegurança no mercado de trabalho tradicional. Já para outra, trabalhar em algo mais alinhado aos propósitos pessoais.

Um levantamento feito pelo Sebrae, mostra que a abertura de empresas no país bateu recorde no ano passado: mais de 3,9 milhões de empreendedores formalizaram micro e pequenas empresas ou se registraram como microempreendedores individuais (MEIs), crescimento de 19,8%.

Mas abrir uma empresa que tenha sucesso, e se mantenha no mercado, requer muito mais do que apenas ter vontade ou uma ideia de negócio. Isso porque, ter uma ideia nem sempre é sinônimo de inovação e basta para colocar um negócio de pé e torná-lo competitivo, rentável e perene.

Essa lição foi a primeira que aprendi quando comecei a escrever o livro O mundo (quase) Secreto das Startups. Quando conversei com empreendedores à frente de empresas de sucesso como Nubank, Guiabolso e IFood para encontrar o denominador comum entre eles, todos apontaram a importância da ideia realmente resolver um problema, uma dor do mercado ou das pessoas.

Uma pesquisa feita pela aceleradora Startup Farm mostra que entre as principais causas de fechamento das empresas está o desalinhamento entre a proposta de valor e o interesse do mercado. Ou seja, para uma ideia ser inovadora e, de fato, se firmar como um negócio, ela precisa resolver um problema, algo ligado aos anseios da maioria das pessoas, que seja percebido como falta, dificuldade ou desejo e que, de certa forma, preocupe as grandes empresas.

A primeira etapa é, então, o chamado costumer’s discovery (descoberta de cliente), no qual deve ser realizada uma pesquisa no mercado de foco para identificar se existe um problema a ser resolvido.

“Duas perguntas são importantes nesse processo: meu produto ou serviço resolve, realmente, uma dor de determinado setor? Há um número significativo de pessoas que precisam dele?”, explica Filipe Garcia, coordenador na Wow, aceleradora de startups.

Quanto maior for esse problema e o número de pessoas que o tenha, mais chance de sucesso. Pense nas startups como Airbnb, Uber, Spotify e Netflix, que mudaram a forma como as pessoas lidam com serviços e entretenimento, tornando-os mais fáceis e acessíveis. Por exemplo, em determinado momento, alguém se perguntou se era preciso fazer prédios para ter uma nova rede de hotéis. Aí surgiu o Airbnb e mostrou que não. É esse pensamento que leva aos novos negócios, às startups de sucesso.

Para saber se sua ideia tem chances de emplacar, algumas perguntas podem ajudá-lo:

1. Você enxerga um problema e tem uma ideia de solução inovadora para ele?

2. Trata-se de um negócio difícil de ser copiado? Quanto mais personalizado, melhor!

3. A ideia realmente será percebida como algo de valor pelo mercado ou vai durar apenas enquanto novidade?

4. Tem um bom potencial de crescimento e de alta rentabilidade? Isso significa que seu negócio deve poder crescer e ser replicado sem depender de profissionais especialistas ou do aumento no número de funcionários proporcional ao seu crescimento.

5. Está em um mercado potencial significativo para que o negócio atinja um patamar de dezenas ou centenas de milhões de reais?

NÃO INSISTA EM UMA IDEIA SEM TER MERCADO

“Startup é uma empresa que desenvolve uma solução real, para um problema real e que tem um potencial de escala. Uma solução que vai impactar muitas pessoas”, diz Flavio Pripa, diretor da Cubo, centro de empreendedorismo tecnológico.

Não adianta apenas ter uma ideia aparentemente boa, se ela não resolve um problema. O Uber, por exemplo, resolveu uma dor, a de mobilidade mais rápida e barata. O Airbnb, de estadia mais barata, sem precisar construir novos hotéis. O segredo para ter sucesso é inovar para construir um novo modelo de negócios que seja competitivo, rentável, perene e de interesse das pessoas: essa é a essência.

Outro ponto importante é conhecer, na essência, o mercado. Cezar Taurion, sócio e head de transformação digital da Kick Ventures, lembra de um negócio que pretendia resolver uma questão na periferia, sem que os empreendedores conhecessem o local. “Não tem como saber se uma dor existe, sem bater na porta do seu público-alvo para conversar e investigar se o produto será usado”, destaca.

A maioria dos grandes nomes no mundo das startups vivenciaram o problema. Brian Chesky e Joe Gebbia, fundadores do Airbnb, eram recém-formados da faculdade e estavam sem nenhum dinheiro para pagar o aluguel do mês. Assim, decidiram tirar três colchões de ar do armário, inflá-los e cobrar pelo espaço, já que muitos hotéis da cidade estavam lotados por causa de um festival de design. O que era para ser uma forma de esticar o dinheiro até o fim do mês se transformou em negócio que, hoje, tem valor de mercado de US$ 100 bilhões.

E você, tem uma ideia para resolver algum problema ou dor do mercado?

Leia outras colunas da Caroline Marino clicando aqui.

você pode gostar também
Comentários
Carregando...

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência, mas você pode optar por não permitir, se desejar. Entendi Saiba mais