Carreira em inovação: head de startups do Cubo dá 5 dicas para construir a sua

A tecnologia e as startups vieram para ficar: as transformações de realidade já estão acontecendo tanto no ambiente de trabalho durante o contexto de pandemia, quanto na rotina das pessoas: muitas das plataformas que hoje você utiliza em seu celular um dia já foram startups. 

Junto a toda mudança, vem também oportunidades, tanto é que a inovação e a resolução de problemas são umas das principais habilidades para o futuro do trabalho, de acordo com a consultoria de recrutamento Robert Half. E a inteligência artificial, que é apenas uma das mais diversas possibilidades em inovação, tem a previsão de gerar novos 97 milhões de empregos até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial.  

Para esclarecer o potencial desse mercado e orientar como você pode fazer com que inovação seja um próximo passo da sua carreira, o artigo de hoje conta com a participação especial do Andrei Golfeto, que tem uma trajetória inspiradora: além das experiências com empresa júnior, aceleração de startups na Ace Startups, novos negócios no unicórnio iFood, agora ele assumiu o cargo de head de startups do hub de inovação Cubo, tornou-se mestrando pela USP e professor de inovação na PUC-RS. Confira as dicas a seguir: 

1- Não sabe por onde começar? Comece por você e registre tudo que sabe sobre expectativas, ambições, valores pessoais importantes para sua carreira

Andrei explica que hoje o mercado se movimenta tão rapidamente que não é mais viável ter planos de carreira para daqui a 5 a 10 anos. Para fazer escolhas em um contexto tão dinâmico, a alternativa que ele utilizou na própria carreira foi a metodologia Ikigai, que significa “o sentido da vida” e traz essa provocação: por que você faz aquilo que você faz? 

A ideia é que você reflita sobre: 

  • O que você ama?
  • O que você faz bem? 
  • Com o que você pode ganhar dinheiro? 
  • O mundo precisa de algo que você pode oferecer?

O Ikigai vai evoluindo e muitas vezes você nem vai ter todas as respostas. O principal é utilizar crenças, valores, ambições e talentos como farol para saber por onde seguir:

“A última declaração, que é a que tenho desde o início da minha carreira, é transformar o Brasil em um dos ecossistemas de inovação mais favoráveis do mundo. Toda a minha carreira foi pautada nesse nicho”.

2- Em seguida, é o momento de conectar suas habilidades com oportunidades de carreira do mercado de inovação

As opções de carreira em inovação vão muito além de saber programar. Há pessoas com funções tradicionais: advogados em fundos de investimento, gestão financeira em startups, marketing em instituições de educação empreendedora, vendas em hubs de inovação. E outras executam profissões ainda pouco conhecidas: sucesso do cliente, experiência do usuário, ciência de dados, inteligência de negócio, gestão de comunidade, e assim por diante.  

“Inovação é um ambiente rico e diverso em que você consegue ter um crescimento em termos de aprendizado muito mais acelerado. Você acaba sendo exposto a muitas pessoas boas, metodologias, referências, acaba sendo bem diverso e dinâmico. Então, para quem tem fome de aprender, é um cardápio completo”.

Ele comenta que escolher qual carreira seguir vai depender muito do perfil de cada pessoa e demanda autoconhecimento dos seus pontos fortes e das habilidades que você quer desenvolver. 

Se você pretende empreender no futuro, trabalhar em startup pode fazer muito sentido. Se você gosta de relacionamento e organização de eventos, hubs de inovação são uma opção. Se você é mais analítico e se interessa por negócios, vale se aproximar de fundos de investimentos. E se você quer conhecer quais são os players do mercado de inovação, há um resumo aqui.

3- Construa e mantenha uma rede de relacionamentos de pessoas com quem você pode aprender. Inovação só acontece com colaboração

O mercado de inovação no Brasil ainda está se desenvolvendo e isso faz com o bom relacionamento e o apoio mútuo sejam essenciais nessa área para conquistar oportunidades, de emprego, vendas, negócios, eventos, investimento e tantas outras. Por isso, Andrei recomenda: 

“No final do dia, é isso que você leva: os relacionamentos e os contatos. Pense muito na rede de contatos que você nutre dentro da cadeia de valor da indústria que você está, ou indústrias adjacentes ou com profissionais de outros setores e mercados que possam te ajudar”.

Para escolher com quem se conectar, considere o passo de carreira que você quer dar em seguida. E, caso ele não tenha sido decidido, não tem problema: procure por pessoas com quem você possa conversar para clarear suas dúvidas. 

“Com o tempo, você vê que se você dedicar 2 reuniões intencionais de networking por semana, de meia horinha cada, a longo prazo você vai conhecendo muitos profissionais e muitas referências. É a melhor forma para você aprender, ser exposto, melhorar os desafios do seu dia a dia e ter impacto”.

Há eventos divulgados no Sympla e em hubs de inovação que podem ser a porta para você se conectar com essas pessoas. Outra alternativa é utilizar seu LinkedIn para abordar profissionais que você admira e solicitar uma rápida mentoria, caso a pessoa tenha disponibilidade. 

4- Em inovação, sua atitude conta mais que seu certificado. Construa resultados de que você se orgulha com o que você tem à disposição hoje

Em inovação, é um mito acreditar que você só conquistará um emprego se obter um certificado. Nesta área, o que conta não é seu curso de formação, eu mesma sou formada em Direito e fui muito bem recebida em inovação. Andrei afirma que o que conta é sua atitude:

“Não tem muito glamour em inovação e geralmente é um risco muito maior você trabalhar no universo de inovação. Só que como qualquer modalidade de investimento: quanto maior o risco, maior o retorno. Se você acerta bem na veia o momento da organização que você vai trabalhar, se dedica naquilo, abraça a oportunidade e tem esse perfil de ser curioso e ir atrás vai acabar te ajudando muito”.

Para ter resultados que possa apresentar em entrevistas de emprego de inovação, Andrei recomenda que você participe do que você tiver à disposição na sua realidade: voluntariados, empresa júnior da universidade, imersões como Startup Weekend. Aja com compromisso, construa algo de que você vai se orgulhar e aprenda a contar sua história. Afinal, tão importante quanto realizar algo, é saber falar sobre essa conquista:

“Não gosto de ser reconhecido como uma pessoa altamente vendedora, fumaceira. Prefiro muito mais ser reconhecido pelos resultados que eu entrego: as pessoas que trabalham diretamente comigo sabem que tenho resultados que comprovam e sustentam aquilo que externalizo – sempre me preocupo mais com isso. Mas um erro que as pessoas fazem muito é não contar bem o seu trabalho: é importante trabalhar sua marca pessoal no mercado, fazer sua rede de contatos – você vai atrair oportunidades a partir do momento em que você se expõe”.

5- O mercado passa por transformações diárias: tenha uma rotina de aprendizado constante e direcionado. Busque referências para os seus desafios práticos

Diante do dinamismo do mercado, o seu papel é continuar aprendendo diariamente – seja antes de conquistar a vaga em inovação, seja depois que assumir o novo emprego. A principal dica do Andrei é que seu aprendizado seja direcionado: 

“Educação é situacional e por demanda: quando você precisa, você estuda e absorve muito mais. Eu passo 5 a 6 horas por dia aprendendo, seja em uma mentoria, lendo livro, estudando” .

Para apoiar você, aqui vão as recomendações do Andrei

Dica bônus do Andrei: a única pessoa que pode ser dona da sua carreira é você.

“Hoje em dia, é cada vez mais difícil a pessoa ter um PDI ou plano de carreira estruturado. Cada pessoa tem que ser dona da própria carreira e ter uma postura proativa em relação a isso: gerenciar seu chefe, gerenciar as expectativas. Todo mundo tem que saber do seu líder direto: o que ele espera de você, como você está em relação ao que ele espera e quais são as oportunidades que existem. Se, uma vez por mês, você sentar com seu líder para alinhar isso, compartilhar desafios e avanços, pedir feedback e agir proativamente para ser promovido, você vai conseguir cavar uma agenda positiva para sua carreira”.

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