Economia SP - Muito além da IA Generativa ou da IA empática: agora falamos da IA Social   

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Muito além da IA Generativa ou da IA empática: agora falamos da IA Social   

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Foto: divulgação
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Nos últimos anos, a inteligência artificial se tornou o tema mais falado em todas as conversas e passou por diferentes fases de popularização. Primeiro vieram as discussões sobre automação e produtividade. Depois, a explosão da IA Generativa colocou o foco na criação de conteúdos, códigos, imagens e análises. Mais recentemente, começamos a ouvir falar sobre IA Empática, sistemas capazes de interpretar emoções e adaptar interações de acordo com sinais comportamentais.

Mas talvez a próxima grande evolução da inteligência artificial não esteja centrada apenas em tarefas ou emoções individuais. Ela está nas relações. É o que tenho chamado de era da IA Social.

Neste cenário, não se trata de criar máquinas que substituam amizades, lideranças ou conexões humanas. O conceito é muito mais interessante do que isso. A IA Social busca compreender, fortalecer e potencializar as redes de relacionamento que influenciam a forma como aprendemos, trabalhamos, colaboramos e vivemos.

E essa discussão é mais urgente do que parece, pois durante muito tempo, relacionamentos interpessoais foram tratados como uma questão ligada ao bem-estar ou à satisfação pessoal. Hoje sabemos que o impacto é muito maior.

A qualidade das conexões sociais influencia diretamente indicadores de saúde física e mental. O famoso estudo de Harvard sobre desenvolvimento adulto, considerado uma das pesquisas mais longas já realizadas sobre felicidade e longevidade, acompanha participantes há mais de oito décadas e chegou a uma conclusão consistente: relacionamentos de qualidade são um dos fatores mais importantes para uma vida mais saudável e longa.

Ou seja, não é riqueza; não é fama; não é sucesso profissional isoladamente. São os vínculos humanos.

Diversos estudos também associam isolamento social crônico ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, depressão, ansiedade, declínio cognitivo e mortalidade precoce. Em 2023, a própria Organização Mundial da Saúde classificou a solidão e o isolamento social como desafios globais de saúde pública. Portanto, a conexão humana deixou de ser apenas um tema emocional e passou a ser uma variável estratégica para qualidade de vida.

Há, então, um paradoxo da hiperconectividade, afinal nunca estivemos tão conectados tecnologicamente e, ao mesmo tempo, nunca discutimos tanto solidão, pertencimento e desconexão. Temos acesso instantâneo a centenas de pessoas, mas muitas vezes dificuldade de construir vínculos significativos.

Esse cenário gera uma pergunta importante para organizações e lideranças: como fortalecer conexões genuínas em um ambiente cada vez mais digital? É aqui que a IA Social começa a ganhar relevância.

Se a IA Generativa produz conteúdo e a IA Empática busca interpretar emoções, a IA Social concentra sua atenção nas relações. Ela ajuda a identificar padrões de colaboração, fluxos de conhecimento, redes de influência e dinâmicas de pertencimento dentro de grupos e organizações. Ou seja, em vez de analisar apenas indivíduos, observa conexões. Na prática, estamos falando de uma inteligência capaz de enxergar a saúde social de uma organização.

Quando fazemos um recorte para o mundo corporativo, é preciso entender que empresas não são feitas apenas de processos ou métricas operacionais, como produtividade, eficiência, vendas, custos e desempenho financeiro.

Há, dentro das corporações, uma variável que frequentemente escapou das análises tradicionais: a qualidade dos relacionamentos internos e isso importa mais do que muitos imaginam, sabe por que?!

Porque projetos inovadores dependem de colaboração; aprendizagem depende de troca; engajamento depende de confiança; e retenção depende de pertencimento. Nenhuma dessas variáveis acontece de forma isolada, elas emergem das relações humanas. Aqui à IA Social oferece a possibilidade de tornar visíveis aspectos que antes eram percebidos apenas intuitivamente.

Existe, porém, um ponto fundamental. A IA Social não deve ser utilizada para substituir conexões humanas, seu valor está justamente em ajudar pessoas a construí-las melhor. Sempre reforço que nenhuma tecnologia é capaz de substituir uma liderança genuinamente presente e o papel dela deve ser apoiar, revelar padrões e facilitar interações. Nunca podemos esquecer que a construção dos vínculos continua sendo responsabilidade das pessoas.

Por fim, a próxima fronteira da inteligência será a da capacidade de criar conexões, fortalecer comunidades, promover colaboração e gerar pertencimento, sendo este um dos ativos mais importantes para indivíduos, empresas e sociedades nas próximas décadas.

A IA Social  poderá nos ajudar a compreender algo que sempre esteve no centro da experiência humana: que qualidade de vida, saúde, aprendizagem, inovação e longevidade dependem, em grande medida, da qualidade das nossas relações.

No fim das contas, a próxima revolução da inteligência artificial talvez não seja sobre máquinas mais inteligentes, mas sobre pessoas mais conectadas.

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fundador e CEO da B2B Match

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