Economia SP - Govtech lança ferramenta em código aberto para ampliar acesso a dados públicos

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Govtech lança ferramenta em código aberto para ampliar acesso a dados públicos

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A Licinexus, govtech criada para aplicar inteligência analítica ao mercado de compras públicas, lançou um servidor MCP para dados de compras públicas (Model Context Protocol) que conecta assistentes de IA, como Claude e Cursor, à base do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), permitindo consultar editais, contratos, atas e planos de contratação sem necessidade de programação.

A ferramenta transforma consultas técnicas em perguntas feitas em português natural. Em vez de navegar por APIs e estruturas de dados complexas, usuários podem realizar buscas como “quais órgãos públicos pretendem comprar notebooks este ano?” ou “quais editais de tecnologia acima de R$ 1 milhão foram publicados nos últimos meses?”.

O projeto foi disponibilizado em código aberto sob licença MIT e já integra o diretório oficial de servidores MCP, protocolo criado pela Anthropic para conectar modelos de IA a bases de dados e ferramentas externas. Segundo a Licinexus, o servidor dá acesso a uma base com mais de 2,4 milhões de processos de compra e 5,5 milhões de itens licitados, atualizada continuamente a partir do PNCP.

Embora tenha sido desenvolvido para empresas que atuam no mercado de licitações, o lançamento também pode ajudar outros públicos interessados em dados públicos, como jornalistas, pesquisadores, analistas e organizações de controle social.

“Grande parte dessas informações já é pública, mas ainda existe uma barreira técnica muito grande para acessar e cruzar esses dados. A ideia foi justamente permitir que qualquer pessoa consiga conversar com essas bases usando linguagem natural”, afirma Alexander Martins La Espina, fundador e CEO da Licinexus.

Entre as funcionalidades disponíveis está a consulta ao Plano de Contratação Anual (PCA), documento previsto pela Lei 14.133/2021 que reúne as compras planejadas por órgãos públicos ao longo do ano. Segundo o CEO, esse tipo de informação costuma ser pouco explorado fora do mercado especializado, apesar do potencial para análises de mercado, acompanhamento de gastos públicos e identificação de oportunidades comerciais.

Código aberto e acesso a dados públicos

Para ele, a abertura do código também faz parte da proposta do projeto:

“Os dados são públicos e entendemos que o acesso a eles também precisa ser democratizado. Fiz questão de que o código fosse aberto porque informação pública é um direito de todo brasileiro, não algo que deveria ficar restrito apenas a quem tem conhecimento técnico ou capacidade de desenvolver integrações”.

Licinexus afirma que o modelo open source não substitui sua operação comercial. A estratégia da empresa é manter aberta a camada de acesso aos dados públicos, enquanto produtos pagos seguem concentrados em inteligência aplicada, como matching automatizado, análise preditiva, classificação de itens e apoio à tomada de decisão em compras públicas.

Fundada em 2025, a govtech atua com análise de dados voltada ao mercado de compras governamentais. A plataforma reúne informações de bases públicas como o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), ComprasNet e Receita Federal para oferecer ferramentas de análise de preços, viabilidade, comportamento de mercado e avaliação de risco para órgãos públicos e empresas fornecedoras.

Entre os diferenciais da plataforma estão os mecanismos de score. Do lado dos fornecedores, a ferramenta avalia indicadores como histórico de contratos, taxa de sucesso, regularidade fiscal, diversidade de órgãos atendidos e tempo de mercado. Já para os órgãos públicos, o score considera fatores como frequência de licitações, taxa de homologação, recorrência de contratos, tempo médio de pagamento e grau de eficiência orçamentária.

A ideia é consolidar dados que hoje permanecem dispersos em diferentes sistemas e transformá-los em inteligência operacional para processos de contratação pública. Entre as funcionalidades estão mecanismos de análise de licitações com IA com base em históricos regionais, identificação de padrões de mercado, geração de dossiês analíticos e acompanhamento de indicadores relacionados a fornecedores e órgãos públicos.

Da consultoria à inteligência de dados

O desenvolvimento dessas soluções está diretamente ligado à trajetória de Alexander dentro do mercado de licitações. O contato do empreendedor com o setor começou após um curso online sobre compras públicas. A experiência o levou a atuar inicialmente com treinamentos para empresas interessadas em vender para órgãos governamentais, trabalho que depois evoluiu para consultorias voltadas à participação em processos licitatórios.

Segundo ele, a convivência com fornecedores revelou um problema recorrente: apesar do grande volume de informações disponíveis nos sistemas públicos, o acesso aos dados ainda era considerado excessivamente técnico e burocrático, especialmente para pequenas e médias empresas.

“Existia uma barreira muito grande entre o dado público e quem realmente precisava usar aquela informação no dia a dia. Muita coisa estava disponível, mas pouco acessível de forma prática”, afirma.

A percepção acabou direcionando os projetos seguintes do empreendedor para soluções focadas em simplificar o acesso a compras governamentais e transformar bases públicas em ferramentas mais intuitivas de consulta e análise.

A proposta ganha força em um momento em que ferramentas de inteligência artificial começam a ser usadas como interface para grandes bases de dados. No caso da Licinexus, a ideia é aplicar essa lógica ao universo das compras públicas, permitindo que informações antes restritas a sistemas técnicos possam ser exploradas também por pesquisadores, jornalistas e cidadãos interessados em acompanhar contratos, editais e movimentações do setor público.

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