Muito provavelmente você sabe de cor o quanto sua empresa faturou no mês passado. Mas saberia dizer, com a mesma precisão, qual imagem a sua marca vem transmitindo às pessoas e pelo que ela tem sido lembrada?
Cuidar da gestão do seu negócio costuma ser a primeira grande prioridade de quem empreende, e faz todo sentido que seja assim, afinal, uma boa gestão é o que garante que uma empresa continue de pé, pague as suas contas em dia, cresça de forma sustentável. Mas, tem outra parte dessa equação que quase sempre fica para um segundo momento na visão dos empreendedores: a gestão da marca, um dos temas mais expressivos dentro do universo do branding.
Um estudo recente feito pela McKinsey & Co., que ouviu 500 líderes de marketing das principais economias europeias, mostrou que branding se tornou a preocupação número um entre vinte prioridades para 2026, à frente até de temas como orçamento e inteligência artificial. Já entre quem empreende, o cenário ainda é bem diferente. As pesquisas voltadas a pequenos e médios empresários tanto na Europa, quanto no Brasil, nem chegam a incluir o branding entre os itens medidos, elas seguem concentradas em burocracias, pagamentos atrasados e acesso a crédito. Enquanto grandes empresas já tratam a marca como prioridade estratégica, quem empreende, muitas vezes tem tantas preocupações que ainda nem conseguiu parar pra pensar sobre o impacto disso no seu negócio e por isso, atualmente, quem reserva tempo e recursos para investir na gestão da sua marca, está na verdade investindo no futuro do seu negócio.
Foi durante o processo de criação de um projeto de branding para uma empresa de gestão de negócios, com operação entre Brasil e Europa e a intenção de se tornar uma marca global, que me ajudou a enxergar isso com mais clareza. Costumo dizer que o verdadeiro branding é o que nasce no coração de cada empreendedor, e foi essa cliente, a empresária mineira que hoje vive na Irlanda, Míriam Leão, quem me ensinou uma grande lição: a de que a gestão de um negócio é como dirigir um carro, não basta você saber guiar o veículo, você precisa conseguir entender tudo o que está indicado no painel, se você não souber a velocidade que está dirigindo, não souber o quanto de combustível ainda tem, não souber se o motor está aquecendo, se o óleo está baixo ou se existe qualquer outro problema acontecendo, você pode estar correndo sérios riscos.
Esse conceito, ao mesmo tempo que me trouxe luz, me fez pensar se não acontece exatamente a mesma coisa quando o assunto é marca, com as devidas proporções, mas com uma diferença, uma vez que quando falamos de gestão os resultados na maioria das vezes são tangíveis e cabem sistemas de monitoramento e gerenciamento, mas quando falamos de branding os resultados são intangíveis e nem sempre podem ser incluídos em análises numéricas. O branding é vivo e direciona o futuro da sua marca.
A gestão tem os números a seu favor, eles sempre ajudam a confirmar quando os riscos são reais e ajudam a prevenir que o pior aconteça de forma prática e objetiva. Já o branding é algo mais complexo de computar os resultados, porque ele acessa lugares, na maioria das vezes, imensuráveis em forma concreta, como a percepção de valor que vai sendo construída tanto na mente quanto no coração das pessoas. Segundo o Sebrae, seis em cada dez pequenas empresas brasileiras encerram suas atividades em até cinco anos de vida. Uma pesquisa de 2026 feita pela Wilbur Labs em parceria com a Wakefield Research, com 200 fundadores entrevistados, mostrou que apenas 25% deles apontam a falta de dinheiro como causa principal do fracasso do negócio, uma queda em relação aos 38% registrados em 2023. Ou seja, a maior parte das empresas não fecha por falta de dinheiro. Talvez seja por isso que dizem que o maior motivo pelo qual um negócio realmente morre é o momento em que o fundador para de sonhar, de acreditar e de lutar por ele. E é exatamente aí que mora o branding, no propósito, no porquê que faz alguém levantar da cama todos os dias para continuar lutando pelo próprio negócio.
Quando começamos um projeto de branding, começamos também uma imersão no universo daquela marca e a fundadora dessa marca em questão, sempre me explicou que o momento de começar a cuidar da gestão e organizar todos os seus processos é quando ainda somos pequenos, porque conforme os negócios crescem, os problemas crescem junto. E aos poucos fomos percebendo que foi exatamente isso que aconteceu com ela mesma, em relação a sua marca. A primeira pergunta que fiz, antes de qualquer conversa sobre identidade visual ou posicionamento, foi bem simples: a sua marca já está registrada?
Não estava. E esse foi o nosso primeiro desafio juntas. Porque construir uma marca realmente estruturada para crescer não é apenas uma questão de ter um logotipo bonito e bem-feito. Existe uma questão de responsabilidade com a proposta de valor, a coerência e o legado que essa marca quer deixar no mundo. Para nossa surpresa, mesmo com domínio do site comprado já há tantos anos, e-mails registrados, perfil nas redes sociais, uma gestão exemplar e um crescimento em plena ascensão, o registro da marca naquela categoria de consultoria pertencia a outra empresa.
Foi então que, em parceria com a Vilage Marcas e Patentes, começamos um processo de naming para formalizar um novo nome. Um nome que representasse o novo momento da marca e que carregasse toda a potência e a proposta de valor que ela já vinha construindo na prática. E foi assim que nasceu a MLion Global Business®.
O desejo de ter um leão como parte viva da marca era claro, e na verdade era quase que uma premissa de briefing, uma vez que Leão é o sobrenome da empresária, e quanto mais eu estudava, mais eu percebia que não podia ser um leão qualquer. Tinha que ser um leão sonhador, um símbolo forte e icônico, capaz de inspirar as pessoas a acreditar que é possível trabalhar com A.M.O.R.®, a metodologia que guia tudo dentro da empresa, remetendo ao conceito de que só vive o impossível quem acredita nele.
E assim nasceu o símbolo que uniu o perfil de um leão ao contorno de um coração, o leão com amor que hoje já está registrado, tanto como marca, quanto símbolo em termos de direitos autorais. Foi a força e a potência do leão que me ajudou a traduzir esse conceito tanto no design quanto na proposta de valor da marca, dando origem a uma imagem que hoje aparece com frequência ao final de todas as apresentações da empresa, um leãozinho em seu habitat natural que ao se olhar numa poça d’água já consegue se ver como um grande leão, fazendo jus ao conceito de que é melhor se organizar enquanto ainda é pequeno.
A maioria dos empreendedores acompanha de perto o faturamento, o fluxo de caixa, os impostos, as vendas, os custos. E tudo isso é indispensável, é claro. Mas, poucos acompanham a saúde da própria marca e decidem investir tempo de qualidade para olhar para isso, como a fundadora dessa marca, decidiu fazer com excelência. Ela parou para ouvir e analisar. As pessoas entendiam claramente o que a sua empresa fazia? Ela estava sendo lembrada pelos motivos certos? Existia coerência entre o que prometia e o que entregava? Foi pensando nisso que ela percebeu que era o momento de dar um passo a mais e investir no seu bem mais valioso, a sua própria marca.
Uma pesquisa da HSR, feita com mais de quatro mil brasileiros e publicada pela CartaCapital, descobriu que 98% deles afirmam que a confiança numa marca influencia diretamente a decisão de compra, e que quase quatro em cada dez abandonam uma marca depois de uma única quebra dessa confiança. Ela sabia que já era uma pessoa confiável, tinha inúmeros feedbacks positivos e provas sociais de que sua metodologia funcionava e transformava, na prática, a vida e os negócios das pessoas. Ela só precisava comunicar tudo isso com mais clareza e compreender que comunicação não era o que ela dizia e sim o que os outros compreendiam, e foi então que se abriu para receber as orientações certas sobre as ações que poderia tomar dali para frente, sempre com muito respeito e humildade para aprender o que precisava ser aprendido, evoluir e fugir do padrão do mercado, fortalecendo-se na sua história e na sua essência, de forma autêntica e inovadora.
Confiança e percepção de marca também são indicadores, só que eles não aparecem numa planilha financeira. Aparecem no comportamento das pessoas, na facilidade para vender sem grandes apelos e gatilhos, na indicação espontânea, na percepção de valor, na fidelização dos clientes. Tudo de mais valioso que uma marca pode construir. Um dos maiores erros que vejo muitos empreendedores cometerem é imaginar que primeiro é preciso crescer para depois cuidar da marca, e foi exatamente esse erro que a MLion® decidiu não cometer. Assim como na gestão, quanto mais cedo alguém cria processos, define posicionamento, organiza sua comunicação e estabelece critérios para tomar decisões, mais fácil será crescer de forma consistente. Branding não começa quando a empresa fica grande. Branding é uma das ferramentas que ajudam uma empresa a crescer de maneira saudável.
O trabalho na MLion® não parou no registro da nova marca. Com o novo nome, o novo símbolo e a proposta de valor traduzida em cada ponto de contato da marca, ela passou a viver na prática o que a gente sempre reforça para quem trabalha com marcas. O branding é infinito, e todos os dias as pessoas estão construindo o valor da marca que carregam. Foi entendendo isso que ela decidiu seguir investindo, e é por isso que continuamos trabalhando juntas até hoje, com grandes planos para o futuro da marca.
A grande lição que podemos tirar desse case de branding da vida real é que gestão e branding não competem entre si, eles se complementam. Enquanto a gestão ajuda a empresa a funcionar, o branding ajuda a empresa a construir a percepção de valor na mente e no coração das pessoas. Um negócio que funciona, mas não constrói valor na vida das pessoas, raramente se sustenta a longo prazo, e é por isso que investir em branding é um daqueles investimentos que quase nunca gera um resultado imediato. Nem sempre a forma de mensurar esses resultados será com números, e sim, com os mais diversos feedbacks positivos que vamos recebendo ao longo do tempo. No fim, gestão é o que garante que o negócio sobreviva hoje, mas é o branding, a gestão da sua marca, que irá decidir se ele ainda vai importar amanhã.