Economia SP - Teremos mais robôs do que profissionais no futuro?

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Teremos mais robôs do que profissionais no futuro?

Rogério Baldauf

Por Rogério Baldauf, diretor-superintendente da Schmersal Brasil.

Nos últimos anos, nos acostumamos a pensar no futuro do mercado de trabalho a partir de perguntas recorrentes como: os seres humanos serão substituídos por robôs? Será que algumas profissões serão substituídas pela inteligência artificial?

No entanto, pode ser que exista uma questão ainda mais profunda por trás desses avanços tecnológicos: o que acontecerá com as pessoas quando o trabalho deixar de ocupar o mesmo espaço que ocupa atualmente em nossas vidas?

Neste ano, por exemplo, Elon Musk voltou a levantar esse debate ao afirmar que, no futuro, acredita que haverá mais robôs do que pessoas. Durante o último Fórum Econômico Mundial, ele ainda falou sobre a possibilidade de a Tesla começar a vender seus robôs humanoides ao público até o fim de 2027.

O avanço da IA e da robótica já nos mostra que algumas das tarefas que hoje dependem exclusivamente de pessoas poderão, cada vez mais, ser realizadas por máquinas.

Caso essas previsões se concretizem, uma das preocupações é a possibilidade de desemprego em massa. Em um cenário mais otimista, os ganhos de produtividade poderiam permitir que as pessoas trabalhassem menos ou deixassem de depender do trabalho para garantir sua subsistência. Uma das propostas discutidas para esse cenário é a renda básica universal, um modelo em que o governo realiza pagamentos periódicos a todos os cidadãos, independentemente de sua situação profissional ou nível de renda, garantindo um valor mínimo para cobrir despesas essenciais. A ideia é permitir que a população também se beneficie da riqueza gerada pela automação, mesmo que as oportunidades de emprego diminuam.

Sua implementação, porém, exigiria fontes sustentáveis de financiamento, o que tem levado ao debate sobre alternativas como a tributação de lucros empresariais e rendimentos do capital, especialmente em uma economia na qual as máquinas podem assumir parte das atividades hoje realizadas por trabalhadores.

Outra consequência que merece atenção é a concentração da riqueza. Nos Estados Unidos, a desigualdade patrimonial tem se aprofundado: uma análise do Institute for Policy Studies, publicada em 2025 com base em dados do Federal Reserve, mostrou que a parcela da riqueza nacional detida pelo 0,1% mais rico cresceu 59,6% entre 1989 e 2024, enquanto a participação dos 50% mais pobres diminuiu 26,1%. Esse panorama reforça uma questão importante para o debate sobre a automação: como garantir que os ganhos econômicos proporcionados pelas novas tecnologias sejam distribuídos de forma mais ampla pela sociedade?

O que significa trabalhar em um mundo cada vez mais automatizado?

Considerando que essas máquinas podem assumir atividades repetitivas, perigosas e/ou desgastantes, ampliar a produtividade e ajudar a tornar determinados ambientes de trabalho mais seguros, claro que é possível visualizar pontos positivos nesse avanço. Contudo, o “outro lado da moeda” nos faz refletir sobre a relação das pessoas com o próprio trabalho.

Quero dizer que, para muitos de nós, trabalhar não significa apenas “receber um salário”. Vai muito além. Também é sobre realização profissional e pessoal. O trabalho representa construção de identidade, superação de desafios, amadurecimento e aprendizados, convivência, reconhecimento e muito mais.

Quando uma pessoa olha para aquilo que construiu em sua trajetória profissional e sente orgulho disso, há em vista um tipo de realização que não pode ser medida apenas em réguas de produtividade.

Portanto, se no futuro as máquinas forem capazes de produzir grande parte das atividades que no momento dependem de mãos humanas, talvez o grande desafio não seja encontrar novas tarefas para os profissionais, mas redefinir o significado de realização profissional.

O que faria nos sentirmos úteis? Onde encontraríamos propósito? Como continuaríamos aprendendo, convivendo e contribuindo em sociedade?

Essas reflexões também mudam a responsabilidade das instituições de ensino e das empresas. O ato de preparar as pessoas para o futuro deve conciliar o ensino sobre o uso das novas tecnologias e o aprofundamento daquilo que continua essencialmente humano: a capacidade de pensar, criar, colaborar e liderar. De compreender o próximo, de tomar decisões e de desenvolver relações.

O verdadeiro avanço está em utilizar a tecnologia a serviço do que só nós humanos somos capazes de fazer. Talvez esse seja o momento de fazermos uma revisão sobre como usaremos o nosso tempo para nossas realizações pessoais e profissionais.

Já parou para pensar no que te realiza? E como vai aproveitar seu tempo nessa promessa de futuro?

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