Nos últimos meses, venho discutido muito sobre o impacto ambiental e social, mas há um pilar que sustenta toda essa estrutura e que, muitas vezes, é negligenciado até que uma crise bata à porta: a governança corporativa.
No cenário atual, a governança não é um acessório de grandes corporações; é a espinha dorsal de qualquer negócio que pretenda ser perene e respeitado.
Como coordenadora da obra “Mulheres na Governança Corporativa – Boas”, tenho defendido que o “G” do ESG é o guardião dos valores da empresa.
Boas práticas não servem apenas para “cumprir tabelas”, mas para garantir que as decisões sejam tomadas com integridade, transparência e visão de longo prazo.
A Governança como filtro de eficiência
Quando o caixa aperta ou o mercado oscila, é a robustez da sua governança que define se a empresa irá reagir com pânico ou com estratégia. Para a liderança de vanguarda, aplicar boas práticas significa institucionalizar processos que minimizem riscos e maximizem a confiança dos stakeholders.
Destaco três pontos essenciais de governança que transformam a gestão:
- Transparência Radical: Empresas que escondem problemas acabam sendo engolidas por eles. Ter canais de denúncia éticos e relatórios de impacto honestos atrai investidores e parceiros que buscam segurança, não perfeição.
- Equidade e Diversidade na Tomada de Decisão: Conselhos e diretorias homogêneos sofrem de “miopia estratégica”. Trazer vozes diversas para o topo da pirâmide garante que os riscos sejam analisados por múltiplos ângulos antes que se tornem prejuízos.
- Accountability (Prestação de Contas): A responsabilidade pelos resultados (financeiros e socioambientais) deve ser clara. Quando o líder responde por suas metas de sustentabilidade da mesma forma que responde pelo EBITDA, o ESG deixa de ser um discurso e vira prática.
O exemplo que vem de dentro
Na Papel Semente, nossa trajetória de 17 anos só foi possível porque entendemos, desde cedo, que ser uma empresa “verde” exigia ser, antes de tudo, uma empresa ética e organizada. Boas práticas de governança nos permitiram atravessar crises mantendo a confiança de nossos clientes.
O mercado não perdoa mais a falta de governança. O custo de um escândalo ético ou de uma má gestão de riscos é infinitamente superior ao investimento em estruturar processos sólidos hoje.
A minha provocação para você hoje: sua governança está desenhada para proteger o seu legado ou ela depende exclusivamente da vontade do dono?